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VELEIRO IRUM
Método Construtivo
Processo Ply-Glass
Este é um dos
processos mais interessantes para a construção amadora. A qualidade do
barco final é insuperável, não há perda de modelos, o sistema é fácil de
executar, obtendo-se um bom isolamento térmico e um peso reduzido para a
rigidez alcançada. Pode-se dizer que pelo lado menos positivo tenha-se a
limitação de não se poder fazer cascos redondos. Os barcos em ply-glass
devem ser do tipo facetado, ou seja, em corte transversal o casco não é
arredondado, mas sim tem uma forma poligonal em que os cantos são chamados
"chines" (pronuncia-se chaines). Para alguns, os barcos desse tipo com um
ou mais chines (neste caso chamados de multichines), não são tão bonitos
quanto os cascos de formas redondas. Isto é uma questão de gosto, mas
alguns barcos multichines, quando bem desenhados e bem construídos podem
ficar excepcionalmente atraentes.
Além do controvertido fator estético, a construção em ply-glass apresenta
uma dificuldade de ordem prática. O barco é construído em madeira
compensada e depois revestido com resina reforçada com fibra de vidro.
Este revestimento é fácil de ser aplicado e dá um resultado excelente como
material de reforço e isolamento. O problema é lixar a superfície externa
uma vez que a fibra de vidro é muito dura e o pó da lixagem ao entrar nos
poros da pele costuma causar coceiras.
Esse inconveniente é inevitável e, quem quiser ter um bom barco com um bom
acabamento deve estar preparado para alguns dias de sacrifício, e superar
esta etapa.
O processo se resume no seguinte:
Após a fabricação em bancada da estrutura transversal, ou seja, cavernas e
anteparas, estas são fixadas em pé sobre uma base (picadeiro) e unidas por
peças de madeira longitudinais (quilha, chines, etc.) Sobre esta estrutura
é pregado e colado com epoxy compensado naval relativamente fino, o que
representa um trabalho bem fácil de ser executado. Uma vez todo coberto o
casco com compensado, são aplicadas várias camadas de fibra de vidro
saturadas com resina (poliester ou epoxy). Uma vez curada a resina é então
feita aquela lixagem externa para que o casco possa ser pintado. Para o
convés repete-se a operação, sobrepondo por uns 50 mm à laminação do
costado. Internamente o compensado e toda a estrutura devem ser saturados
com duas mãos de resina epoxy para impermeabilização, garantindo desta
forma uma imensa durabilidade. A madeira saturada com epoxy se petrifica
em sua superfície, eliminando a possibilidade de instalação de fungos. Um
bom exemplo da excepcional qualidade do processo é o veleiro Multichine 23
de nome "Caso Sério". Construído em 1980 e muito bem usado durante todos
estes anos ainda hoje está em estado de novo, sem uma gota d'água sob os
paineiros e quando se faz um furo para a instalação de algum equipamento
novo ainda se sente o aroma da madeira virgem. A maioria dos barcos de
série de fibra de vidro de mesma idade já está em mal estado, enquanto que
o "Caso Sério" parece um barco novo. O próximo barco de Roberto Barros com
o qual ele e sua esposa Eileen pretendem viajar para o Pacífico Sul é
construído por esse processo. O objetivo da escolha foi construir um barco
para uso intensivo praticamente isento de manutenção e capaz de durar
algumas dezenas de anos sem envelhecer. Existem algumas falácias
insistentemente repetidas que precisam ser desmistificadas.
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A madeira tem que respirar, logo não se deve saturar o interior do
barco para evitar apodrecimento. Conceito totalmente errado. A madeira
não respira. O que respira e precisa de umidade para se proliferar é o
fungo que se aloja nela. A saturação com resina epoxy impede o
apodrecimento e torna a madeira um dos materiais mais duráveis que se
possa utilizar na construção de embarcações.
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Não se deve encapsular madeira com fibra de vidro pois não há
aderência entre os dois materiais. Conceito parcialmente errado. A
madeira maciça absorve vapor d'água quando a umidade relativa do ar está
alta e perde vapor d'água em dias secos aumentando e diminuindo suas
dimensões transversais neste processo. Longitudinalmente quase não há
variações de dimensionamento. Quando a madeira é totalmente encapsulada
ela não troca mais umidade com a atmosfera e consequentemente mantém
estabilidade dimensional. Compensado naval, por sua construção com
fibras perpendiculares é dimensionalmente estável e pode ser revestido
com fibra de vidro com segurança. O processo ply-glass pressupõe que a
espessura da fibra de vidro seja em torno de um terço da do compensado,
se a resina utilizada for poliester para a saturação da fibra de vidro.
No caso de resina epoxy a laminação poderia ser mais fina, todavia nos
barcos de ply-glass a fibra de vidro tem função estrutural e não pode
ser diminuída excessivamente. O processo ply-glass pressupõe
obrigatoriamente a saturação interna do barco com duas mãos de resina
epoxy.
A construção em ply-glass, considerando-se a alta qualidade do barco
concluído e sua longa durabilidade com mínima manutenção é um dos
processos mais interessantes, para quem quer ter a certeza de construir um
bom barco.

As
cavernas são as estruturas para montagem do casco.

Laminação da
roda de proa.

Cavernas já montadas no picadeiro, estrutura longitudinal já colada.
Nessa
foto as camadas da quilha estão sendo coladas.

Colagem da roda de proa.estão
sendo coladas.

Cavernas no picadeiro, estrutula longitudinal, quilha e roda de proa
colocados.
O afagamento já está terminado.

Revestimento do casco com compensado naval.

O beliche de
proa já pronto.

O barco depois
de virado impregnado com duas demãos de epoxi.

Depois da
mobília pronta, começa a preparação para o fechamento do convés e cabine.
A estrutura já está colada

O
compensado está sendo colado no convés.

Casco
pronto. ( Veleiro do Projetista Roberto Barros )

Veleiro
equipado. ( Veleiro do Projetista Roberto Barros com outra pintura)

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